Perguntas frequentes
Em geral, sim. Em crianças que ainda são amamentadas no peito por exemplo, o leite materno nunca deve ser interrompido, pois além de nutrir, ajuda a proteger o intestino da criança. Para quem já toma fórmula ou leite de vaca, a recomendação é manter o consumo normalmente, desde que não haja sinais de desconforto. Em alguns casos de diarreia mais prolongada, o intestino pode ter dificuldade temporária em digerir lactose, resultando em cólicas, gases ou assaduras. Nesses casos, o pediatra pode orientar adaptações específicas. Fora isso, não há motivo para suspender o leite sem indicação médica.
Não necessariamente. É verdade que diarreia acompanhada de vômitos e febre costuma estar relacionada a infecções virais, chamadas de gastroenterites, sendo os vírus como o rotavírus e o norovírus os mais comuns, especialmente em crianças. Essas viroses são altamente contagiosas e se espalham com facilidade em ambientes coletivos.
Porém, é importante saber que os mesmos sintomas também podem aparecer em outras situações. Bactérias como Salmonella e Escherichia coli, além de alguns parasitas intestinais, podem provocar quadros semelhantes. Intoxicações alimentares causadas por toxinas bacterianas também levam a vômitos e evacuações frequentes.
Ou seja, a presença simultânea de vômito e diarreia sugere uma infecção intestinal, mas não permite afirmar com certeza que se trata de uma virose. Para chegar a uma conclusão mais precisa, o médico avalia o tempo de evolução, as características das fezes (por exemplo, se há sangue ou muco), o estado de hidratação da criança e o contexto de exposição a alimentos ou pessoas doentes.
Independentemente da causa, a conduta inicial é a mesma: hidratar a criança de forma adequada, manter a alimentação e observar sinais de alerta. Caso haja piora, presença de sangue nas fezes ou sinais de desidratação, a criança deve ser levada rapidamente ao serviço de saúde para avaliação.
Não é indicado suspender a alimentação durante um episódio de diarreia. Manter a dieta habitual é essencial para que o organismo continue recebendo energia e nutrientes enquanto o intestino se recupera. O ideal é oferecer refeições em porções menores e mais frequentes, já que muitas vezes o apetite diminui. Alimentos de fácil digestão, como arroz, batata, cenoura, frango, maçã sem casca e banana, costumam ser bem tolerados. Por outro lado, evite frituras, doces e comidas muito condimentadas, que podem irritar ainda mais o intestino. Para bebês, o aleitamento materno deve ser mantido normalmente, pois o leite materno hidrata e protege contra infecções.
A diarreia aguda geralmente tem duração curta. Na maioria das vezes, os sintomas começam a melhorar entre 3 e 7 dias, embora em alguns casos possam persistir até 14 dias. Durante esse período, o intestino passa por um processo de reparo, por isso as evacuações podem demorar alguns dias para voltar ao normal. Enquanto isso, é fundamental manter hidratação constante e oferecer alimentação adequada. Se a diarreia ultrapassar duas semanas, já não é considerada “aguda” e deve ser investigada por um médico para descartar outras causas.
Não. A diarreia não é transmitida pelo ar, como ocorre com a gripe. A infecção acontece pela via fecal-oral: partículas microscópicas de fezes contaminadas podem chegar à boca através de água, alimentos, mãos ou objetos. Isso significa que apenas estar no mesmo ambiente não transmite a doença. O risco surge quando não há higiene adequada, por exemplo, se alguém usa o banheiro e não lava bem as mãos antes de preparar comida. Em locais coletivos, como creches, a transmissão pode ser rápida justamente por causa do contato com superfícies e brinquedos contaminados. A prevenção depende de medidas simples: lavar as mãos corretamente, higienizar banheiros e utensílios e garantir que a água seja potável.
O principal cuidado é reforçar a higiene dentro de casa. Lave as mãos da criança e de todos os cuidadores com água e sabão várias vezes ao dia, especialmente após usar o banheiro, trocar fraldas e antes das refeições. Higienize superfícies do banheiro, como vaso, pia e torneiras, com desinfetante. No caso de bebês, descarte fraldas em lixeira fechada e limpe o trocador com álcool ou solução desinfetante. Não compartilhe toalhas ou panos de boca entre irmãos. Também é importante garantir que todos consumam apenas água potável, filtrada ou fervida. Esses cuidados interrompem a cadeia de transmissão e reduzem bastante o risco de novos casos dentro da família.
