

O que é essa tal de diarreia?
Sabe quando a barriga começa a revirar, as idas ao banheiro ficam mais frequentes e as fezes saem mais líquidas ou amolecidas do que o normal? Isso é o que chamamos de diarreia. Quando isso acontece várias vezes ao dia (três ou mais em 24 horas), os médicos chamam de Doença Diarreica Aguda, ou simplesmente DDA.
A diarreia é um aviso do nosso corpo de que algo não vai bem no sistema digestivo. Na maioria das vezes, ela é causada por uma infecção por vírus, bactérias ou outros microrganismos chamados parasitas, que podem estar em alimentos ou na água que não foram bem cuidados.
E aqui está a verdade que quase ninguém fala: muitas pessoas acham que a diarreia vai embora sozinha, sem precisar de tratamento. Isso é um erro perigoso!
Por que não dá para ignorar
O erro que enfraquece e pode matar
Cada ano, centenas de milhares de crianças em todo o mundo ainda morrem por causa da diarreia. Em menores de 5 anos, ela está entre as principais causas de morte por doenças contagiosas. Muitos pensam que basta esperar melhorar. Só que cada vez que a diarreia não é cuidada do jeito certo, a chance dela voltar aumenta. Em média, cada criança tem pelo menos três episódios de diarreia por ano no mundo, e isso não precisava ser assim.
O perigo vai muito além do desconforto causado: cada episódio provoca perda intensa de água e sais minerais (eletrólitos) e ainda provoca lesões na mucosa intestinal, dificultando a absorção de nutrientes. Isso aumenta o risco de desnutrição e cria um ciclo perigoso: a criança adoece, melhora, mas volta a ter diarreia — ficando cada vez mais fraca.
Esse é o perigo invisível que precisamos enfrentar.

Os tipos de diarreia
Nem toda diarreia é igual, entenda as diferenças
A diarreia pode se apresentar de diferentes formas, variando na duração e nas características das fezes. Conhecer esses tipos ajuda a entender os riscos e o melhor tratamento.
- Diarreia aquosa
É a mais comum. As fezes ficam bem líquidas e podem sair em grande quantidade em pouco tempo. O maior perigo é a desidratação rápida, principalmente em crianças pequenas. - Diarreia com sangue (disenteria)
Além das fezes moles, aparece sangue ou muco. Normalmente vem acompanhada de febre e dor de barriga forte. Esse tipo precisa de atendimento médico imediato. - Diarreia persistente
Quando a diarreia dura mais de duas semanas seguidas. Com o tempo, deixa o corpo fraco e causa perda de peso, exigindo acompanhamento médico de perto.

De onde vem a diarreia?
As principais formas de contaminação do dia a dia
A diarreia não surge do nada. Ela aparece quando vírus, bactérias ou parasitas entram no corpo. Isso acontece pelo contato com água e comida contaminada, mãos sujas ou até insetos que levam os micróbios de um lugar para outro.
As principais formas de transmissão são:
- Água contaminada: beber ou usar água sem tratamento.
- Comida mal lavada ou crua: frutas, verduras e outros alimentos expostos.
- Mãos sujas: principalmente quando vão direto à boca ou ao preparar refeições.
- Carnes e peixes malcozidos: que ainda guardam micróbios vivos.
- Insetos: como moscas, que carregam germes de fezes para os alimentos.
- Higiene precária: em casa, na escola ou na cozinha.
Esses fatores abrem a porta para a diarreia. Por isso, lavar bem as mãos, beber água tratada e cuidar da higiene dos alimentos são passos simples que fazem toda a diferença.

Como tratar?
A diferença entre tratar certo e esperar
O protocolo oficial de saúde é claro: todo episódio de diarreia precisa ser tratado desde o início. Esperar para ver se melhora é perigoso, e desde 2004 a Organização Mundial da Saúde instituiu recomendações justamente para mudar essa prática, que ainda leva muitas pessoas a óbito. Pode parecer exagero, mas a desidratação acontece muito rápido.
A boa notícia é que o tratamento segue uma lógica simples, baseada em dois pilares que salvam vidas:
1. Hidratação e alimentação
É essencial repor a água e os sais minerais perdidos. O Sais de Reidratação Oral (SRO) deve ser oferecido sempre que houver evacuação ou vômito. Também ajudam líquidos caseiros como água potável, chá sem açúcar, água de coco e sopas leves.
A alimentação não deve ser interrompida. Deve-se manter a alimentação habitual, dando preferência a refeições leves e nutritivas, que ajudam na recuperação e evitam a desnutrição.
2. Regeneração da mucosa intestinal
O segundo pilar é ajudar o intestino a se recuperar. Por isso, em crianças menores de 5 anos, o uso de zinco faz parte do protocolo oficial. O zinco acelera a cicatrização do intestino, encurta a duração da diarreia e ainda protege contra novos episódios.


Mitos e Verdades
A diarreia ainda é cercada de muitos mitos. Por isso, reunimos os principais mitos e verdades sobre a DDA para esclarecer de uma vez por todas o que realmente faz diferença no cuidado.
NOSSO MANIFESTO
443 mil crianças morrem de diarreia por ano no mundo. Cada número é uma vida. Cada vida perdida é uma batalha que não deveria ter sido perdida. A diarreia tem tratamento, tem protocolo estabelecido pela OMS, tem solução comprovada pela ciência. Mas continua matando porque existe uma lacuna entre o que sabemos e o que praticamos, entre o que está nos manuais médicos e o que chega às famílias.
Este movimento existe para fechar essa lacuna: transformar estatísticas em consciência, protocolos médicos em ação prática, conhecimento científico em informação acessível, silêncio em grito de alerta. Porque nenhuma morte por diarreia deveria ser aceita como inevitável. Porque cada família merece ter acesso ao conhecimento que salva vidas. Porque é hora de fazer a diferença onde ela mais importa. Xô, diarreia!
